Duas versões, dois dias. Em 2025-07-05, a v1.21.0 trouxe WalletConnect v2 — o protocolo hoje conduzido pela Reown — e transformou a SSP em uma carteira capaz de conversar com milhares de dApps: Uniswap, OpenSea, Aave e a longa cauda de frontends Web3 que já falam WalletConnect. No dia seguinte, em 2025-07-06, a v1.22.0 veio com um passe de UX sobre cada modal que o novo conector abre. O enquadramento importa: o WalletConnect não substituiu a multisig 2-de-2 da SSP. Apenas deu à SSP uma forma padrão de receber solicitações de dApps. Toda ação pedida por uma dApp ainda passa pela sua carteira e pelo seu telefone antes de ser assinada.
Conecte a SSP a milhares de dApps
O WalletConnect começou como um protocolo genérico para "parear carteira com site" e, nos últimos anos, virou a porta de entrada de fato para carteiras não-MetaMask no ecossistema de dApps Ethereum. A Reown — o time antes conhecido como WalletConnect — entrega o SDK v2 e um registro de apps compatíveis na casa dos milhares. Com a v1.21.0, a SSP entra nesse registro.
O efeito prático é que qualquer site com um botão "Connect Wallet" que suporte WalletConnect pode parear com a SSP. Troque na Uniswap. Dê lance na OpenSea. Empreste na Aave. Faça stake na Lido. Vote no Snapshot. Leia um post do Mirror travado por NFT. Com WalletConnect v2 na SSP, o caminho genérico funciona.
É um tipo de integração diferente do SSP Connect, o SDK próprio da SSP para apps parceiras que querem invocar ações específicas como pay. SSP Connect é o caminho profundo, com sabor SSP. WalletConnect é o caminho-padrão de menor denominador comum. A SSP agora oferece os dois.
Como funciona o fluxo de conexão
O modelo de pareamento do WalletConnect é simples, e a implementação da SSP o segue sem surpresas. Uma dApp produz uma solicitação de conexão codificada como um URI iniciado por wc: e um tópico específico da sessão. O usuário a recebe de duas formas: como uma string para copiar ou como um QR code para escanear.
Na SSP, o usuário abre a aba WalletConnect, cola o URI no campo de conexão WalletConnect (ou escaneia o QR) e aprova o pareamento. A partir daí, a dApp pode enviar pedidos — assine esta mensagem, envie esta transação, troque para esta rede — para a carteira via relay do WalletConnect. O pareamento dura até que um dos lados o encerre. Se você já usou WalletConnect com outra carteira, a sensação na SSP é a mesma, por design.
Invariante multisig intacta
Esta é a parte fácil de não notar quando uma release traz conectividade de dApps a uma carteira multisig: o WalletConnect não muda o modelo de segurança. É transporte, não assinador.
Quando a Uniswap, via WalletConnect, pede à SSP para assinar um swap, o pedido cai na fila de aprovações da SSP Wallet. O usuário revisa e aprova. Então — e só então — a SSP Wallet co-assina e encaminha a transação parcialmente assinada à SSP Key no telefone. O telefone mostra o mesmo payload. O usuário aprova ali também. Só depois das duas aprovações é que a transação totalmente assinada é transmitida.
Três coisas continuam valendo com o WalletConnect na jogada, e já valiam sem ele:
- Dois aparelhos, duas aprovações. Nenhum aparelho, nenhuma tecla move fundos sozinho. O WalletConnect não vota.
- A dApp nunca vê uma chave. Ela vê apenas a assinatura sobre o payload que pediu. As chaves vivem na SSP Wallet e na SSP Key, como sempre.
- O payload que você assina é o que a dApp enviou. A carteira não muta o pedido — mesmo calldata, mesmo valor, mesmo chain ID.
O WalletConnect amplia a superfície. Não enfraquece a invariante.
Modais lapidados um dia depois (v1.22.0)
A v1.22.0 saiu em menos de 24 horas após a v1.21.0 e é puramente sobre os quatro modais que o novo conector abre. O modal de solicitação de conexão ganhou um layout mais limpo: identidade mais clara da dApp, escopo de permissões em destaque, menos cromo. O modal de personal-sign — o que aparece quando um site pede para assinar uma mensagem legível para autenticação ou consentimento off-chain — foi redesenhado para exibir o corpo da mensagem com mais legibilidade. O modal de solicitação de transação ficou com fluxo mais enxuto: destino, valor, resumo do calldata e rede se leem num só passe. O modal de troca de rede foi simplificado para o caso comum de a dApp pedir para alternar entre Ethereum e Polygon e voltar.
Nada disso muda para que esses modais servem. Cada um é uma categoria específica de solicitação da dApp com uma decisão de aprovação específica. A v1.22.0 só facilitou tomar essa decisão num relance.
O que você pode fazer hoje
Depois de atualizar para a v1.21.0 (ou, melhor ainda, v1.22.0), o que a SSP não fazia antes vira rotina. Troque numa DEX. Dê lance num leilão de NFT. Tome emprestado contra colateral na Aave ou Compound. Forneça liquidez. Assine um voto Snapshot. Autentique-se numa app Web3 com Sign-In With Ethereum. Mintee de um launchpad. Cada uma dessas ações agora roda pelo mesmo fluxo de colar-URI-e-aprovar, com a mesma aprovação em dois aparelhos no final.
Para desenvolvedores, isso complementa a API da SSP Wallet lançada mais cedo no ano. Se você está construindo uma app parceira que quer integração estreita e ciente da SSP, a API e o SSP Connect continuam sendo o caminho. Se você está lançando uma dApp genérica e quer usuários SSP desde o dia zero, o WalletConnect v2 é agora a resposta.
O que não mudou é o que não devia: a dApp fala com a carteira, e a carteira fala com o usuário — duas vezes, uma em cada aparelho, toda vez.